Pedras Portuguesas
travessa comuna

travessa comuna

travessa comuna

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guevara erótico

guevara erótico

super-lua do centro

super-lua do centro

Mais um filme político de Robert Guédiguian, o que é bem diferente de um filme politizado. Mas o que é fazer um filme político hoje? É sobretudo fazer um filme sobre os impasses de nosso tempo. Não é um filme que “representa” uma época, muito menos um filme propriamente engajado, que sugere ou clama por uma ação. As Neves do Kilimanjaro é sobretudo um filme sobre como criar um sentido no momento em que não há sentido à vista. O desencanto com (ou ainda a falência de) as lutas socialistas ou mesmo trabalhistas (“a luta política é a classe”)  não levou a uma superação dessas lutas, mas ao cinismo amoralista e ao niilismo criminoso. O que salta aos olhos no filme é a incapacidade do protagonista, o ex-chefe sindical Michel, de responder às acusações que o jovem assaltante Christophe lhe joga na cara. Mas este cinismo apenas nivela toda moral, faz com que a derrota da política (escolher a menos “pior” alternativa: demitir trabalhadores via loteria) seja cúmplice do crime. É um tempo no qual os heróis são ridicularizados e caminham literalmente de braços amarrados. Assim, o filme torna-se rigorosamente histórico: realizado no crepúsculo do período neoliberal, quando a boa-fé dos militantes da política e da transformação social foi levada ao achincalhe e em seu lugar o cinismo midiático (cujo nome é Sarkozy) se impõe como alternativa ao gangsterismo mafioso (do tipo Putin ou Berlusconi), a narrativa de Guédiguian oferece como saída simplesmente o bom e velho trabalho. Trabalho que não é outra coisa se não a de se criar um novo sentido. É como se o filme trouxesse de volta a urgência da velha pergunta de Lenin: o que fazer? A resposta é assim: fazer o que deve ser feito, fazer o que se impõe como dever, preferir a dignidade ao ridículo de um safári na África. Como diria o filósofo Kant: a dignidade é, por definição,  aquilo que não é possível se trocar, seja pelo dinheiro, pela comodidade, seja por nada. Não é um filme sobre a necessidade de se viver com a boa  consciência. Parafraseando o falecido Millor (“livre pensar é só o pensar”), a boa consciência é simplesmente a consciência. 

dani s. no fundo da poça batendo foto

dani s. no fundo da poça batendo foto

niterói vista do aterro

niterói vista do aterro

santo amaro glória noctem

santo amaro glória noctem



Extrema música

Batalhar uma resposta
sem aguardar a pergunta
como arriscar-se pelas águas
sem preocupar se afunda


A terra se agita o mar se revolta
no ar gira um redemoinho
as geleiras se desfazem
o planeta se sabe sozinho
oh baby baby é preciso
seguir sempre em frente
mesmo sem o manto cálido
de sua carne envolvente

Entre automóveis incendiados
as multidões ocupam as praças
calam os corpos torturados
súplicas pelo instante da graça


Há um vagalhão que carrega
raivosos jovens pelas ruas
e se dispersam noturnos
suspiros entre as peles nuas


oh baby baby é preciso
abrir os poros dos sentidos
um coração dilacerado
dói mais do que um osso partido

Que translúcido cristal
guardaria o delicado lirismo
e a bordo de uma frágil nau
o mais centrado solipsismo


ignorasse o mundo em pedaços?
como diante do que acontece
não fazer da extrema música
uma queixa um grito um SOS?


oh baby baby é preciso
se permitir ainda uma chance
não seja nem sorte nem azar
mas um desejo que jamais descanse



Extrema música


Batalhar uma resposta

sem aguardar a pergunta

como arriscar-se pelas águas

sem preocupar se afunda

A terra se agita o mar se revolta

no ar gira um redemoinho

as geleiras se desfazem

o planeta se sabe sozinho

oh baby baby é preciso

seguir sempre em frente

mesmo sem o manto cálido

de sua carne envolvente


Entre automóveis incendiados

as multidões ocupam as praças

calam os corpos torturados

súplicas pelo instante da graça

Há um vagalhão que carrega

raivosos jovens pelas ruas

e se dispersam noturnos

suspiros entre as peles nuas

oh baby baby é preciso

abrir os poros dos sentidos

um coração dilacerado

dói mais do que um osso partido


Que translúcido cristal

guardaria o delicado lirismo

e a bordo de uma frágil nau

o mais centrado solipsismo

ignorasse o mundo em pedaços?

como diante do que acontece

não fazer da extrema música

uma queixa um grito um SOS?

oh baby baby é preciso

se permitir ainda uma chance

não seja nem sorte nem azar

mas um desejo que jamais descanse

bitlove

quando
com a pausada claridade
de uma manhã de sol
se abre a tela do mural
cambiante de uma rede social
então
como gotas químicas de um jato
de ácido fosforescente
milhões de incansáveis elétrons
se reúnem em bits e bytes
vindos dos mais recônditos chips
de placas e circuitos integrados
obscuros componentes
de remotos silícios
para
formar o sorriso frágil
de seu perfil translúcido
impreciso impermanente
entre
letras diáfanas q se movem
e em seguida esvaecem
como
vapor de uma chuva rápida
sobre o manto quente do asfalto
e compõem não se sabe
q fugaz e público comentário
apenas
como a mais simples afirmativa
da plena e inquietante presença
de sua alegria intensamente viva
mesmo
por distante e intangível
mas cuja sensação fina
é a da ponta esferográfica de uma caneta
rabiscando seu nome sobre a pele
ou ainda
é como um afago aflitivo
de suas unhas sobre os pêlos
assim
enérgico magnético
radiante
em frente ao monitor
mais um dia começa

bitlove

quando

com a pausada claridade

de uma manhã de sol

se abre a tela do mural

cambiante de uma rede social

então

como gotas químicas de um jato

de ácido fosforescente

milhões de incansáveis elétrons

se reúnem em bits e bytes

vindos dos mais recônditos chips

de placas e circuitos integrados

obscuros componentes

de remotos silícios

para

formar o sorriso frágil

de seu perfil translúcido

impreciso impermanente

entre

letras diáfanas q se movem

e em seguida esvaecem

como

vapor de uma chuva rápida

sobre o manto quente do asfalto

e compõem não se sabe

q fugaz e público comentário

apenas

como a mais simples afirmativa

da plena e inquietante presença

de sua alegria intensamente viva

mesmo

por distante e intangível

mas cuja sensação fina

é a da ponta esferográfica de uma caneta

rabiscando seu nome sobre a pele

ou ainda

é como um afago aflitivo

de suas unhas sobre os pêlos

assim

enérgico magnético

radiante

em frente ao monitor

mais um dia começa